Está sendo muito legal compartilhar as experiências que vivi durante meus últimos 20 anos de trajetória na fé. Pode parecer pouco tempo, mas em se tratando de vida com Deus, tem muita história real pra contar!

No post 1 falei sobre minha conversão. No post 2 falei sobre as perseguições religiosas que vivi. No post 3 abordei sobre o meu primeiro namoro, na hora errada.

Hoje vou falar sobre minhas primeiras dificuldades financeiras. Muitos não suportam a escassez e acabam abandonando a fé. Pra vocês entenderem…

Meus pais sempre deram uma vida muito legal. Tínhamos tudo que queríamos. Não faltavam os melhores brinquedos, material de escola e passeios. Em casa tinha funcionária que cuidava da casa e da gente. Meus pais sempre trabalharam muito e se preocupavam em dar o melhor para nós (pra mim e pra minha irmã).

Quando completei 16 anos passamos por uma crise financeira. Os negócios do meu pai não iam bem (por uma série de fatores). Morávamos em Canápolis, uma cidade de 12 mil habitantes, sem perspectivas para jovens. O comum era os adolescentes mudarem para Uberlândia ou Ituiutaba, cidades maiores, pra estudar.

Foi nessa época, de crise financeira, que mudamos pra Uberlândia. A família toda (meus pais, eu e minha irmã). Minha mãe montou o salão e já começou a trabalhar, já meu pai, sem profissão e somente com experiência como comerciante nada conseguiu para trabalhar. Eu com 17 anos, idade em que fica-se à disposição do exército também sem muito o que fazer. Arrumei um emprego inicialmente de professor de informática, mas os ganhos eram poucos.

Em seguida fui trabalhar em uma livraria, e o dinheiro era curtíssimo. Basicamente vivemos do que minha mãe ganhava, e do pouco que meu pai conseguia. Eu trabalhava e também ajudava.

Mesmo com toda dificuldade, eu entrei pra faculdade (privada) e na época pagava R$560,00 (de mensalidade). Era um valor altíssimo para minha realidade, e para o que eu ganhava. Arrumei um estágio logo no segundo mês de faculdade, e lembro que eu ganhava R$600,00, ou seja, o que eu ganhava era a conta pra pagar a faculdade.

Pra se ter uma ideia do aperto que passamos, eu comemorava ter cartão alimentação de R$150,00. Isso mesmo! Muitas vezes, era com esse cartão que fazíamos compra lá pra casa, e minha mãe, tadinha, ficava toda sem graça de gastar o meu cartão. Eu não fazia conta, porque me sentia também responsável pelo sustento da galera.

Vocês lembram que falei que me converti aos 12 anos, e cinco …seis anos depois, passei pelo maior deserto financeiro. E Deus, ele não é fiel? Claro que é! Jamais coloquei a culpa em Deus, e jamais me fiz de vítima. Apesar da escassez do dinheiro, sobrava fé pra acreditar que dias melhores viriam. Se faltava dinheiro, sobrava vontade de estudar e ser alguém na vida. Se os recursos eram limitados, ilimitada era a força pra trabalhar.

Fiz faculdade com a maior dificuldade do mundo. Fiquei semestres sem estudar, porque as mensalidades aumentavam e eu ainda deveria mensalidades anteriores. Pensa no aperto e no sacrifício que foi fazer aquela faculdade.

Teve uma época, que eu trabalhava em dois empregos pra dar conta do recado. Foram dias difíceis, que eu não comprava nada pra mim. Só alimentação e o resto era pra pagar os estudos. Eu tinha certeza que eu teria o retorno. Sempre fui fiel a Deus durante todo o aperto.

Eu ia a pé pra igreja, tinha vezes que duas e até três vezes por dia. Andava 25 minutos pra chegar na igreja, tinha vezes que no frio, na chuva, às 6h30 da manhã. Eu me mantive fiel aos meus valores nos tempos de vaca gorda, mas também nos tempos de vaca magra. É preciso saber viver, literalmente. Eu ficava triste? Claro! Ainda mais que eu tenho um espírito inconformado, mas jamais blasfemei. Eu tinha total ciência de que aquilo era passageiro e que logo chegaria um tempo bem melhor.

A Bíblia diz o seguinte “Sei passar falta, e sei também ter abundância; em toda maneira e em todas as coisas estou experimentado, tanto em ter fartura, como em passar fome; tanto em ter abundância, como em padecer necessidade.  ”

Em outra versão de Bíblia, o mesmo trecho é descrito assim:

“Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade.” – Filipenses: 4, 12.

Nunca fiquei feliz com aquela situação, nem me acomodei. Lutei, estudei, paguei faculdade, e consegui tudo por mérito. A mão de Deus esteve todo o tempo sobre mim, e embora os dias fossem escuros, a luz de Deus brilhava em meu coração. Ninguém tirava o sorriso do meu rosto, a educação e meu comportamento nobre, entre os cristãos, mas também entre os incrédulos.

É muito fácil acreditar em Deus e que Ele está com você, quando os dias são bons. Quando há fartura, quando a conta do banco está em dia. Difícil é quando os cobradores ligam no seu telefone, quando você não tem limite mais no cartão e nem nome para ter crédito em loja. Difícil é quando não consegue estudar porque ainda está devendo a faculdade.

Eu falo de algo que eu vivi, não do que alguém me contou. E muitos anjos surgiram no meu caminho. Uma professora da faculdade, que eu admirava desde criança porque assistia na TV, ela me esperava até o final da aula pra dar carona e levar em casa. Pra ela era uma carona, mas pra mim era a economia de um vale transporte. Aqueles R$2,00 me proporcionavam comer 1 salgado na faculdade. Meu amigo, e mesmo diante de toda dificuldade eu tinha a maior certeza de que Deus era comigo e que eu me tornaria um grande homem e profissional. Hoje, 11 anos depois dessa guerra (que foi dos meus 17 aos 21 anos), olho pra trás e apenas agradeço pela Poderosa mão do Senhor que a todo tempo esteve sobre mim.

Em minha cidade, sou um dos profissionais mais conhecidos e renomados em minha área. Meu profissionalismo é conhecido, respeitado e procurado. Tá vendo? Foi preciso fazer minha parte e confiar no meu Deus. Foi uma aliança, eu apenas queria glorifica-lo.

Durante muitas vezes, fiz “n” propósitos e campanhas e nunca tive um pedido específico como mudar de emprego, comprar casa ou um bem. Eu sempre pedi “Meu Deus eu quero glorificar o Seu nome com a minha vida”. E assim tem sido! Ele sabe o que é melhor pra mim. Eu não sei escolher nem um copo de água, é ele quem me direciona em tudo e me mostra o que é melhor pra minha vida.

Algumas lições que eu tirei desse tempo:

  1. Se assim como eu, você está passando neste momento pela maior guerra na vida financeira, segura a onda. Se você está desempregado e sem dinheiro, sem perspectivas e sem profissão, sem poder estudar e até sem dinheiro pra comer… acredite primeiro em você, que pode sair dessa situação. Acredite também em Deus, seja fiel à Ele e faça um voto de jamais Deixá-lo. Peça o mesmo que eu, peça que Sua vida seja um testemunho vivo do Poder de Deus nessa Terra.
  2. Se você não sabe qual caminho ou carreira seguir, pense em mercados que estão bombando ou que vão bombar no futuro, quando digo mercado, digo segmentos de mercado que estão crescendo. Exemplo: internet (pessoas cada dia mais conectadas), terceira idade (a cada ano aumenta o número de idosos), casais sem filhos (uma tendência). Invista nestes mercados.
  3. Comece pequeno, mas tenha atitude de gente grande. Procure estudar e buscar qualificação.
  4. Embora o conhecimento seja muito importante, em dias onde as pessoas estão estressadas e de cara feia, ter um sorriso sempre no rosto, estar disponível e ser educado, se tornaram diferenciais para um profissional. Pense nisto, como cristão, isso deveria ser uma obrigação, afinal, você pode exalar Jesus através do seu comportamento.
  5. Faça provas com Deus. Não fique parado e não deixe de usar sua fé.
  6. Projete! Coloque seus sonhos no papel. Estabeleça prazos e metas a curto, médio e longo prazo. Escreva tudo que vai precisar e corra atrás.
  7. Não abra um negócio sem ter experiência com o público. Se for preciso, vá trabalhar como emprego numa empresa profissional e referência. Se torne um excelente profissional, pra depois se tornar patrão. Há coisas que só a experiência faz.
  8. Tenha uma boa rede de relacionamento e não menospreze ninguém. O mundo dá voltas. A faxineira de hoje, é a diretora de amanhã. Valorize as pessoas e acredite no sonho delas.
  9. Faça do Senhor o seu escudo em todo tempo, e sempre olhe para as coisas com os olhos espirituais.
  10. Enxergue oportunidades nas dificuldades. As humilhações que sofri, me moldaram e me fizeram um ser humano muito melhor. Tive a oportunidade de conhecer excelentes pessoas, mas também péssimas pessoas e péssimos profissionais. Aprendi que não quero ser como eles, agindo de maneira diferente.
  11. A dificuldade é passageira. Mares bravos e revoltos escondem destinos fantásticos. Depois de toda essa luta, você vai ver que valeu a pena. Lute por seu sonho. Você vai conseguir e em breve receberei seu e-mail contando sua história de superação.

 

 

Fazer o melhor na sua vida profissional é uma forma também de glorificar a Deus. Sabia? Quando você faz o seu melhor, o Seu Deus é glorificado. Fazer uma boa apresentação, atender bem um telefone, cuidar dos seus clientes e ser solícito pode levar as pessoas a quererem conhecer esse diferencial que você tem, que é a sua fé e temor a Deus.

 

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No post de amanhã vou falar sobre decepção dentro da igreja. Você já passou por isso? Eu também. Os espelhos podem se quebrar e aí? Cadê minhas referências. Nesta sexta-feira aqui no blog.

1 COMMENT

  1. Meus olhos se encheram de lágrimas ao lembrar desa fase de nossas vidas. Mas, ao mesmo tempo sou grata ao cuidado de Deus. Realmente não me lembro de ve-lo blasfemando ou questionando, pelo contrário, sempre acreditando que isso ia passar e que você ia chegar onde chegou. Td isso contribuiu para que vc se tornasse essa pessoa admirável.

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